Genuína obra prima
Com autoria de Dan Brown, O Código da Vinci é um grande sucesso, que já foi traduzido para 42 países, e teve mais de 15 milhões de exemplares vendidos. O escritor inicia a história com um intrigante assassinato, e é a partir desse acontecimento, que a trama, bastante polêmica, se desenvolve. O morto em questão é o curador do museu do Louvre, que guardava o segredo do Santo Graal e de mensagens cifradas sobre o mesmo assunto. Essas mensagens enigmáticas estariam contidas nas obras de um célebre artista, ninguém menos que Leonardo Da Vinci.Brown contesta várias versões (ou verdades, dependendo do ponto de vista) defendidas pela Igreja Católica. Uma delas é em relação ao Santo Graal, que de acordo com o autor, seria uma pessoa, e não um objeto. Ou seja, o fato de ser considerado um cálice seria, na verdade, uma metáfora para um útero – que teria supostamente sido fecundado por Jesus. Esse útero conteria a linhagem do sangue de Jesus, e a “dona” desse útero seria Maria Madalena. Também é afirmado no livro que, a verdade, por ser escrita pelos vencedores, não nos dá garantias do que realmente aconteceu na vida de Jesus. Certamente ele existiu, mas a verdadeira história sobre sua vida e informações como o local de nascimento e aparência física ainda são um mistério.
Para o escritor, Da Vinci supostamente teria conhecimento de toda a verdade, mas era coibido de falar sobre esse assunto. Portanto, ele teria deixado pistas sobre esse segredo em suas pinturas, para aqueles que possuem olhos então as perceberem. A principal pintura é a Última Ceia, obra de arte na qual é retratado o momento em que Jesus anuncia para seus discípulos que, além de saber que será traído, sabe quem é o tal traidor.
Eis a visão do escritor para a respectiva obra-de-arte: o Graal estaria ao lado de Jesus, e no lugar onde deveria estar sentado o apóstolo João, encontra-se Maria Madalena. Porém, se observarmos com a devida atenção, iremos perceber que o indivíduo situado ao lado de Jesus possui feições femininas, e também, que as cores de suas vestimentas correspondem exatamente ao inverso das cores que trajam Jesus.
Outra imagem a ser notada é que esses dois personagens estão unidos pelas mãos, com suas cabeças afastadas, resultando em um notável V – que corresponde exatamente ao símbolo do cálice (do feminino). Enquanto todos os discípulos estão gesticulando, espantados, “discutindo”, Jesus e a hipotética Madalena mantém uma fisionomia serena, dando a impressão de que estão isentos aos acontecimentos. A mão “avulsa” que empunha a adaga também é um ponto relevante, tratada no livro como um simbolismo para o fato de que Madalena havia sido extinguida dos Evangelhos.
Sejam precisões da realidade, ou meras presunções fictícias de Dan Brown, nos resta esperar para ver se a versão da sétima arte, que poderá ser conferida nas telonas a partir da próxima sexta-feira, dia 19, fará jus ao êxito da versão escrita. Uma coisa é certa: renderá consideráveis cifrões para a indústria cinematográfica. Mesmo sob os impetuosos protestos da Igreja Católica, que só beneficiarão ainda mais toda a publicidade em torno do filme. Afinal, a fórmula polêmica + mega produção é = a sucesso garantido.
